quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Luzes Brilhantes

Aquela noite quente de verão era a última do ano, só podia esperar até meia noite para apreciar os fogos da vista mais bela vista de minha vida, o prédio não era muito alto, mas estávamos na cobertura, olhando o céus e as estrelas e apreciando a praia ao longe, ela com um vestido branco com rendas de flores, seu cabelo ainda estava curto e preto, eu a observava abrir e fechar a boca, mas a única coisa que ouvia era meu pensamento dizendo o quanto aquilo significava para mim. Eu estava de camisa amarela buscando me encontrar naqueles grandes olhos e naquela aura de rainha, enquanto eu era um escravo desejando ser um rei. Nós tínhamos nos divertido bastante naquele dia, a piscina estava ótima, sua família era alegre e divertida, me sentia como se fizesse parte de algo muito mais importante do que imaginava.

            Meu pensamento foi quebrado quando uma música dos anos 80 começou a tocar, todos os prédios estavam ouvindo Samba, pagode, sertanejo e derivados, fiquei surpreso quando me virei e vi a mãe dela colocando uma música diferente das outras, as duas começaram a dançar em uma sinergia em que só pais e filhos tem, tudo ficou em câmera lenta pra mim, ela ria sem parar e como não lembrar de sua risada? Seus olhos fechavam levemente, ela encolhia os ombros e soluçava sua risada. Senti meu sorriso no canto na boca, sempre foi difícil descrever o que eu sinto, mas se naquela noite você me perguntasse, com toda certeza eu te daria um texto com meu maior sentimento.

            As duas pararam de dançar, ela parou onde estava, deu um leve sorriso para mim e começou a se aproximar bem devagar e cada passo vinha um clarão até meus olhos. A combinação da Alquimia é a coisa mais perfeita do mundo, cabelo preto, lábios vermelhos e pele branca. Ao chegar bem perto seu olhar se fixou no meu e eu pude sentir seu verdadeiro calor, ela selou seus lábios nos meus, libertando meu desejo de tela em meus braços naquele momento e para sempre.

            A queima dos fogos começou e lembro-me de abraça-la e assistir atentamente cada luz brilhante, e são essas imagens que ficam presas em minha mente, o estopim para o fogo ardente de cada um daqueles foguetes e as lindas cores tomavam conta dos meus olhos naquele momento.

            Deitamos naquele sofá ostra que tinha ali do lado, um anjo sorridente apagou as luzes, a música calma tocava e enchia nossos ouvidos com sua beleza sem fim, eu só conseguia me concentrar naquele momento perfeito, seguramos nossas mãos e ficamos ali, deitados olhando um para o outro, trocando sorrisos e harmonias dos nossos seres. Minha boca abriu um pouco, como se eu fosse dizer algo, mas eu parei e abaixei a cabeça. Eu podia ter dito, podia ter dito antes que fosse tarde demais, meus verdadeiros sentimentos dos quais nunca tive oportunidade de dizer ou mostrar. Eu fui escravos dos meus próprios estereótipos, enquanto ela era minha Rainha, eu poderia ter sido seu Rei. - Luzes Brilhantes. Miguel Lima


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