O Sol tinha acabado de se por e a Lua sobre nossas cabeças nos conectava mais uma vez com o vasto silencio do universo. Os grilos começaram a cantar dando inicio a sinfonia da natureza, e nós, sem nenhuma preocupação, continuávamos a jogar conversa fora, quando meu amigo louco apontou para um canto e gritou:
- Vocês viram aquilo?! – Perguntou entusiasmado e correndo atrás de uma lanterna.
- O que era? – Retruca meu amigo grande e forte, seguindo o louco com a cabeça.
- Sei lá! Mas eu quero descobrir! – E com um salto ele corre pro meio da mata e logo
atrás meu outro amigo.
- Você vem? – Perguntei pra ela, com algo que era pra ser um sorriso.
- Mas é claro! – Ela se levanta e nós seguimos conversando até a entrada da mata.
Aquela entrada nos leva a parte de baixo da chácara, onde havia um lago onde “meu tio” e seus cachorros nadavam, lá era muito escuro, não tinha nenhum tipo de iluminação e as arvores rodeavam tudo aquilo. Eu e a Moça descemos para encontrar os outros dois.
Só conseguíamos ouvir os dois gritando e rindo bem alto, correndo atrás um do outro, enquanto nós estávamos um pouco longe conversando sobre absolutamente nada... Foi quando... Eu comecei a tremer... As coisas começaram a passar pela minha cabeça, coisas das quais eu nunca tinha feito, pois tinha medo, eu comecei a sentir o frio do ar, parei de ouvir o que ela dizia e ouvi meu coração batendo bem de vagar, observava a escuridão, mas só conseguia enxergar o que eu realmente queria, sentia o cheiro daquele perfume de pimenta que me fazia estremecer, segurei sua mão que estava quente e se misturava com o meu frio, e por fim interrompi sua fala com meus lábios trêmulos e inexperientes, sentindo o doce sabor da sua luxuria, enquanto eu sentia a intensidade da vida, a intensidade do meu sentir. Foi naquele momento escuro e frio que entendi a singularidade de todas as coisas. - Singularidade. Miguel Lima
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