quinta-feira, 27 de março de 2014

Vox Æterna

"Sublime. Iluminado. Bagagem. Força. Amor. Suspiro. Olhares. Tudo o que eu acreditava era que tudo aquilo iria passar e que logo esqueceria daquele sentimento de risco, aquele sentimento que me deixou acordado por várias noite. Não olhe para mim agora, não me veja despejando sentimentos num ato de falta de amor próprio, meus olhos derramam gotas daquilo que foi um mar de acasos, sua gota fria aconchegava meu rosto desamparado.

Escuro estava meus olhos no memento de angústia por parte da noite, só queria uma faísca daquele alvor adormecido, nem que fosse o mais simples entre todas as fontes de luz, eu iria ama-la a cada pequeno detalhe e ia cultivar para que vire uma esplendida fonte Iluminada, assim como a minha.

            Eu ouvia o som do grande piano, uma voz simples toma conta de toda a catedral, a luz que entrava do vitral refletia uma bela silhueta de anjo com longos cabelos negros, ou algo parecido, seu vestido vermelho e preto me lembravam das Rosas que eu vivia tentando desvendar.


            Ela cantava com toda força de vontade, mesmo machucada queria dar tudo de si naquilo que mais amava, era onde poderia ser verdadeira e feliz, um desafio infinito, uma luta incansável para se tornar melhor do que já era, sua intensidade conquistava o coração de quem a ouvia, era tudo o que ela precisava. Eu observava com toda sinceridade possível, mesmo machucado sentia que naquele momento eu ia dar mais do que tudo de mim, aquilo que eu estava disposto a amar, onde eu poderia ser totalmente verdadeiro pra ser feliz com aquele Anjo da Voz Eterna, um desafio infinito, uma luta incansável para me tornar melhor, minha intensidade passou a ser gigantesca tudo para conquistar o coração de quem cantava e finalmente desvendar a Rosa. É tudo que preciso."Vox Æterna - Miguel Lima.

domingo, 23 de março de 2014

O Gatuno e a Bruxa I (?)

            “Clamava pela aurora no escuro da noite, eu era aquele que espreitava as árvores em busca de sangue ou ouro. Caia o diabo em forma de chuva transformando aquele caminho de terra em barro, a copa da arvore é minha casa, enquanto minha adaga é meu único bem material, minha pele era suja como minha alma corrompida, aqueles que cruzavam meu caminho eram levados a força ao purgatório.

            O que eu mais queria não estava comigo, na verdade, eu não sabia a sensação daquilo. Fui brutalmente assassinado pelas palavras frias da morte que me leva lentamente ao seu berço, a única coisa que ela queria é cantar aquela canção de ninar nos meus ouvidos para eu nunca mais acordar. Eu já não tinha opção de viver, só busco aquilo que os homens mais desejam, pois talvez isso tenha o mesmo efeito em mim, mas não tem.

            Relâmpagos cruzavam os céus, e eu cruzava a terra, como uma flecha cruza o campo para atingir seu alvo. Sabotar a carroça do rei era meu último feito. Roubar o livro de segredos da Bruxa e, quem sabe, buscar nele alguma coisa pela qual lutar, um novo objetivo, um novo motivo.

            Lentamente eu ia me preparando pra pular, a casca da arvore era pegajosa a chuva fria só dificultava as coisas, era tudo muito escorregadio. A qualquer momento a carroça surgiria, os guardas provavelmente me darão trabalho, volto a sentir a dor do corte feito em meu peito, quase me levou para escutar a canção da morte. Nesse momento preciso me preocupar com a Bruxa, ela talvez me dê mais trabalho do que qualquer coisa, sei que não posso cair na tentação de tua beleza e na soberba de tua palavra.


            Tochas da carroça surgiram no horizonte. Amarro meu cabelo, preparo minha adaga com um veneno mortal e visto minha capa preta com mancha de sangue daqueles que haviam conhecido a lâmina deste ladino. Desço como uma águia em fúria, dando um rasante diretamente no pescoço do cocheiro levando-o para o berço de minha aliada, os cavalos param, eu entro na carroça pela parte de cima, arrebentando o teto. Me deparo com uma jovem moça sentada, com um capuz preto e com um livro em seu colo. Ela dá um leve sorriso, eu uso minha adaga para tirar seu capuz e ver seu rosto, ele era tão belo, aqueles olhos negros que paralisam meus braços, seu rosto magro mostrava sua singela sensualidade e sua boca vermelha era a pura luxuria. Eu já não buscava mais o livro, ela tinha o que eu nunca tive. Eu havia encontrado algo pelo qual lutar.” – O Gatuno e a Bruxa I (?). – Miguel Lima.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Nirvana

            "A árvore que te entrego num jogo de vai e vem, não sei explicar se está de noite, mas posso ver as estrelas tocando nossa pele, sua mão é quente, consigo sentir seu sangue passando por suas veias, seu coração batia ao som daquela música, aquela que ainda não temos. Os vagalumes brilham a nossa volta iluminando nossas faces, a grama bem verde se mostrava nova em folha, estava molhada com o orvalho, meu sentimento era novo, porém único.

            Não parava de olhar no fundo dos teus olhos, aquele castanho que dominava uma parte do meu peito, mas a única coisa que eu realmente lembrava era da sua voz, suave, me falando sobre o universo e sobre a mente dos homens. Seu olhar era meio caído, com um sorriso sincero e afetuoso. Eu não parava de pensar que você me deu a mão.

            Jamais levantaria dos pés daquela arvore, eu apenas observava as constelações de uma vida, de um universo, da conspiração que talvez estivesse ao nosso favor, não há como descobrir ainda. Agora só penso em selar um contrato de corações, o qual leva um tempo e leva uma parte do meu peito, ao vento, por um momento.

            Observo atentamente o movimento dos teus braços, dos teus dedos, da tua íris, da suas asas negras, eu beijo sua mão branca e quente, e consequentemente beijo seu braço até chegar no seu pescoço e recito palavras sobre nossa vida, nossa pequena e curta vida, o grave da minha voz bate dentro do teu peito, eu te beijo selando nossos lábios e termino dizendo “Meu Anjo de Asas Negras”." – Nirvana. Miguel Lima.

sábado, 15 de março de 2014

Errante

"Ando e ando, sem rumo apenas andando.
Entendo o que cada ser humano sente.
Faminto de experiências; Eu preciso aprender a amar.
Medito meio monge meio sábio presente no tempo presente.

Apenas esperando para fazer o bem sem olhar a quem;
Ou a amar alguém sem ter alguém.
Andarilho sem destino cujo o objetivo é chegar ao próprio sol,
Que brilha intensamente, assim como este errante." Errante - Miguel Lima.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ardor Escarlate

            “Eu não aguentava mais olhar para a cara dela, era como se fosse a morte à beira do abismo. Aqueles olhos que do fundo denunciavam a vontade de morrer em minhas mãos tremulas, eu não aguento mais segurar tanta vontade de sufoca-la enquanto ela chora pedindo mais e mais. No momento de decréscimo de minha sanidade fez com que eu tirasse uma lâmina afiada de minha gaveta, eu toquei sua ponta com meu dedo indicador e vi o sangue sair, sentia um prazer quase inexplicável, inesquecível, inevitável. Ela me olhava com desejo, seus dentes escorregavam pelo lábio e seu olhar fazia meu coração bater mais forte, era o desejo de sua pele.

            Levo a faca para frente de meu rosto, torço a cabeça levemente para o lado esquerdo e lambo sua lâmina com meu sangue que dançava no seu fio, e em um momento de devaneio, arremesso a faca em direção da minha amada, na esperança de manda-la para o inferno de nossas almas. Para minha felicidade, eu erro. E um suspiro saiu de sua boca, ela realmente queria ver o circo pegar fogo, e nós somos sua fonte de calor.

            Vou até ela, seguro seu pescoço com força e trago para bem perto do minha boca, só nos resta queimar. Sua mão direita desliza no meu braço, em quanto a esquerda puxa minha camisa levando minha boca até a dela, aquele calor intenso de paixão agonizante, ela me segurava pelo pescoço com aquelas unhas afiadas cravando minha pele, o liquido escarlate tomava conta de sua mão.


Aqueles restos de pano que cobrem e seguram nosso verdadeiro fogo, eu os rasgo e te entrego minha pele. Minha boca beija seu coração enquanto o sangue que ali bombeava se mistura com nosso suor impetuoso, e ela se deleitava com tanto ardor, mas eu não queria saber, só pensava em leva-la para o paraíso entorpecente, novamente, impaciente entrego o meu tudo, para receber o verdadeiro e violento Amor.” Ardor Escarlate - Miguel Lima.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Jardim de Jade

“Eu irei caminhar com minhas mãos amarradas, até que o dia volte a nascer, o diabo me prega peças mexendo com meus sentimentos e me fazendo de bufão para seus desejos insanos. Aquele minueto estava ao contrario, me despertava tristeza com a falta do som lírico daquele Anjo. Eu só poderia sentir a grama molhada nos meus pés, era escorregadio. A ponte suspensa nos céus ligando meu universo cheio de estrelas para um Jardim quase infinito, um Jardim de Jade.

Eu irei caminhar com meu rosto coberto de sangue, até o dia em que minhas palavras perderem força, nesse momento de pouco fascínio e desconhecido desejo. Eu sinto a brisa do vento como um sopro da Dama do Frescor. As folhas de Março são mais vivas e levemente trazidas pra perto das estrelas, uma corrente de ar no espaço, o verde inesquecível das lembranças quase impermeáveis daquele tempo em que as ações deste andarilho não valiam de nada.

Eu irei caminhar com meu estandarte das trevas, até que eu adentre aquele jardim promiscuo, preciso ouvir sua voz até o fim de meus dias. Os planetas se alinham num esplendido espetáculo de luzes e cores, mostrando algo do qual eu nunca havia visto ou sentido, era a paixão de um coração quase parado, apenas uma faísca para reacendê-lo, como um relâmpago com sua descarga elétrica violenta, como um Lobo que lidera sua alcateia, como um Navio a deriva no mar.

Eu irie caminhar, com minha ultima esperança para dentro do Jardim de seus olhos escuros, que um dia foram feitos de Jade. Eu daria minhas estrelas para conquistar o verde eterno que ali adormece.” – O Jardim de Jade. Miguel Lima