segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Último Suspiro

“Um despencar incrédulo de um escritor faminto por poesia. Não. Por poesia não. Por Amor, algo que vive em deriva no seu coração jogando-o contra parede e satirizando sua cara e suas obras como meros meios de levar parte dele para outro ser igual, pode ser honroso de sua parte, mas no final ele fica sem nada, nada.

Cruzando oceanos pelo mar em fúria da mente da jovem amada, é impossível lutar contra a correnteza incerta dos seus olhos que mostram um dia verde. O convés está vazio como estas palavras mal ditas, e o horizonte parece cada vez mais longe e quase impossível de alcançar, mas ao fundo se encontra um coração um que bate fraco e com apenas uma pequena luz de esperança.

Precipita o barco velho e sujo dos olhos daquela moça, e eu. Digo. O escritor foi jogado pra fora e não poderá mais navegar naquele mar de belas ilusões, mas sabe que um dia elas vão se concretizar, assim como o dia vira noite, o sol irá se por pra você. Ele se aproxima do ouvido dela como um suicida se aproxima da borda de um prédio e recita, seu último suspiro.” - Último Suspiro. Miguel Lima.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Simples de Coração

             "Lembrei daquele momento em que a alma transbordava a vida num belo contexto de silêncios e sofrimentos, até porque a vida não teria graça sem o sentir. Perco-me na confiança de uma alma, ela já não acredita mais na vida, ela não acredita em mim, em minha poesia, em minha fantasia.

 Em Meias palavras para essa sombra transtornada de medo do escuro, enquanto caminhava sobre o alto de um prédio, tendo a luz da preciosa lua como sua guia, com aquele crucifixo batendo em seu peito com um brilho quase apagado, sentindo a inspiração das estrelas. O Som da morte era muito alto, uma cantoria, uma bela voz, quase entorpecente para aquele pobre corpo cansado e sofrido, ele caminha até a borda do prédio, a brisa acariciava sua pele, e o vento ia contra seu rosto fazendo seu cabelo balançar e sugerindo para que ele não prossiga com aquilo. Chegando a borda, ele coloca sua cabeça para ver o que estava acontecendo e se depara com uma garota chorando sua linda música, cantando sua triste vida e pendurada na superfície de um sonho quase esquecido.

Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e sua pele estava pálida com um ar de frieza e desdém, ela fitava o universo e as estrelas, ignorando totalmente aqueles grandes olhos arregalados do rapaz platonicamente apaixonado, sem pensar ele estica uma de suas mãos num ato de buscar aquilo que realmente tem valor... Uma vida.

Inconscientemente seus olhos não encaravam aquele ser que gritava para que ela se reerguesse, só pensava na vida triste que tinha levado e não queria pensar mais em nada a não ser se soltar para o eterno nevoeiro que havia abaixo daquele andar.

Exausto de esticar o braço, ele começa lembrar de sua vida num arco infinito, por que estava sofrendo tanto para ajudar alguém que estava no mesmo barco que ele? Alguém que era como ele, na sua cabeça tudo começou a fazer sentido, sua vida não era ruim como pensava e sempre teria alguém para dar o valor necessário.

Inteiramente sua, as estrelas eram como caminhos a seguir e eles sempre davam a algo intenso e brilhante, e por mais que elas brilhassem ao longe, ele poderia sentir seu calor e sua brandura.


Triste e angustiado por não poder ajudar aquela estrela tão bela que estava quase caindo em terra e perdendo seu brilho, ele começa a chorar por não ser bom o suficiente, e uma lágrima de tristeza cai dos seus olhos, mostrando que ele estava vivo e sentia, e ao cair no rosto da garota, ela desperta, piscando e encarando aquele homem, que sorri ao ver que conseguiu alguma coisa, ela para de cantar, segura a mão dele e sobe, sobe para o céu esplendido para viver um amor cósmico, junto as estrelas, junto com aquele brilho quase apagado." Simples de Coração. Miguel Lima

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Luzes Gêmeas

“Estranhamente eu não me afogava naquele mar de desilusão. Minha energia vital havia sido levada, junto com ela, um nó contendo minha virtudes desatadas em forma de raiz. As bolhas saiam de minha boca, meu corpo é praticamente congelado por conta da grande quantidade de neve que eu havia produzido com meu suor obscuro e sem sol.

            A tormenta aperta cada vez mais com a força do meu pensamento e com a tristeza de minhas lágrimas, sucumbidas nessa hora solene.

            Uma sombra surge diante de tempestade. O céu era negro e os raios caiam do meu lado ascendendo parte do meu coração com suas descargas elétricas. A sombra se aproxima revelando parte do seu rosto, segura nas minhas mãos, elas eram frias e quase sem vida, nossos dedos se entrelaçam e ela fixa seus olhos nos meus, aqueles olhos verdes, iguais a uma pedra de jade. E da sua intensidade sai uma tremenda descarga elétrica, desta vez, forte o suficiente para iluminar meu coração, vejo que aquela sombra se parecia muito com a luz contida em meu peito.


            Antes de eu tentar me aproximar, ela entra numa poça de agua que a tormenta havia criado e eu encantado pela sua energia e intensidade a sigo adentrando seus mais belos sonhos. E estranhamente eu não me afogava naquele mar de desilusão.” Luzes Gêmeas. - Miguel Lima.