sábado, 15 de fevereiro de 2014

Simples de Coração

             "Lembrei daquele momento em que a alma transbordava a vida num belo contexto de silêncios e sofrimentos, até porque a vida não teria graça sem o sentir. Perco-me na confiança de uma alma, ela já não acredita mais na vida, ela não acredita em mim, em minha poesia, em minha fantasia.

 Em Meias palavras para essa sombra transtornada de medo do escuro, enquanto caminhava sobre o alto de um prédio, tendo a luz da preciosa lua como sua guia, com aquele crucifixo batendo em seu peito com um brilho quase apagado, sentindo a inspiração das estrelas. O Som da morte era muito alto, uma cantoria, uma bela voz, quase entorpecente para aquele pobre corpo cansado e sofrido, ele caminha até a borda do prédio, a brisa acariciava sua pele, e o vento ia contra seu rosto fazendo seu cabelo balançar e sugerindo para que ele não prossiga com aquilo. Chegando a borda, ele coloca sua cabeça para ver o que estava acontecendo e se depara com uma garota chorando sua linda música, cantando sua triste vida e pendurada na superfície de um sonho quase esquecido.

Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e sua pele estava pálida com um ar de frieza e desdém, ela fitava o universo e as estrelas, ignorando totalmente aqueles grandes olhos arregalados do rapaz platonicamente apaixonado, sem pensar ele estica uma de suas mãos num ato de buscar aquilo que realmente tem valor... Uma vida.

Inconscientemente seus olhos não encaravam aquele ser que gritava para que ela se reerguesse, só pensava na vida triste que tinha levado e não queria pensar mais em nada a não ser se soltar para o eterno nevoeiro que havia abaixo daquele andar.

Exausto de esticar o braço, ele começa lembrar de sua vida num arco infinito, por que estava sofrendo tanto para ajudar alguém que estava no mesmo barco que ele? Alguém que era como ele, na sua cabeça tudo começou a fazer sentido, sua vida não era ruim como pensava e sempre teria alguém para dar o valor necessário.

Inteiramente sua, as estrelas eram como caminhos a seguir e eles sempre davam a algo intenso e brilhante, e por mais que elas brilhassem ao longe, ele poderia sentir seu calor e sua brandura.


Triste e angustiado por não poder ajudar aquela estrela tão bela que estava quase caindo em terra e perdendo seu brilho, ele começa a chorar por não ser bom o suficiente, e uma lágrima de tristeza cai dos seus olhos, mostrando que ele estava vivo e sentia, e ao cair no rosto da garota, ela desperta, piscando e encarando aquele homem, que sorri ao ver que conseguiu alguma coisa, ela para de cantar, segura a mão dele e sobe, sobe para o céu esplendido para viver um amor cósmico, junto as estrelas, junto com aquele brilho quase apagado." Simples de Coração. Miguel Lima

Nenhum comentário:

Postar um comentário