“Um despencar incrédulo de um escritor faminto por poesia.
Não. Por poesia não. Por Amor, algo que vive em deriva no seu coração jogando-o
contra parede e satirizando sua cara e suas obras como meros meios de levar
parte dele para outro ser igual, pode ser honroso de sua parte, mas no final
ele fica sem nada, nada.
Cruzando oceanos pelo mar em fúria da mente da jovem amada, é
impossível lutar contra a correnteza incerta dos seus olhos que mostram um dia
verde. O convés está vazio como estas palavras mal ditas, e o horizonte parece
cada vez mais longe e quase impossível de alcançar, mas ao fundo se encontra um
coração um que bate fraco e com apenas uma pequena luz de esperança.
Precipita o barco velho e sujo dos olhos daquela moça, e eu.
Digo. O escritor foi jogado pra fora e não poderá mais navegar naquele mar de
belas ilusões, mas sabe que um dia elas vão se concretizar, assim como o dia
vira noite, o sol irá se por pra você. Ele se aproxima do ouvido dela como um
suicida se aproxima da borda de um prédio e recita, seu último suspiro.” -
Último Suspiro. Miguel Lima.
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