terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Luzes Gêmeas

“Estranhamente eu não me afogava naquele mar de desilusão. Minha energia vital havia sido levada, junto com ela, um nó contendo minha virtudes desatadas em forma de raiz. As bolhas saiam de minha boca, meu corpo é praticamente congelado por conta da grande quantidade de neve que eu havia produzido com meu suor obscuro e sem sol.

            A tormenta aperta cada vez mais com a força do meu pensamento e com a tristeza de minhas lágrimas, sucumbidas nessa hora solene.

            Uma sombra surge diante de tempestade. O céu era negro e os raios caiam do meu lado ascendendo parte do meu coração com suas descargas elétricas. A sombra se aproxima revelando parte do seu rosto, segura nas minhas mãos, elas eram frias e quase sem vida, nossos dedos se entrelaçam e ela fixa seus olhos nos meus, aqueles olhos verdes, iguais a uma pedra de jade. E da sua intensidade sai uma tremenda descarga elétrica, desta vez, forte o suficiente para iluminar meu coração, vejo que aquela sombra se parecia muito com a luz contida em meu peito.


            Antes de eu tentar me aproximar, ela entra numa poça de agua que a tormenta havia criado e eu encantado pela sua energia e intensidade a sigo adentrando seus mais belos sonhos. E estranhamente eu não me afogava naquele mar de desilusão.” Luzes Gêmeas. - Miguel Lima.

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