domingo, 8 de dezembro de 2013

O Caminho

“Está trilhando por campos perigosos, e nisso não há dúvida. É preciso olhar para dentro, para a sua saúde psíquica. Mas tome cuidado. Não pense que, de repente, por conta de todas as glórias do passado, as honras do futuro virão da mesma forma. Cuidado, Miguel. ”

Ele havia me dito enquanto eu me preparava pra viagem mais difícil de minha vida, aquele velho... E agora estou aqui, andando no rumo do vento, tentando achar alguma luta digna de suor e sangue, o caminho segue para aquela floresta de onde eu tenho generosas recordações. À noite esta bela, as estrelas dançam no céu enquanto a Lua despeja seu brilho e fervor em forma de água dando forma a uma cachoeira que no final se esvai formando a fonte da eterna juventude. Me banho com aquela água e sinto o fulgor adentrar minha Aura e mostrando o que realmente sou, aquele que realmente procuro, aquele que se perdeu durante a nova Era.

Continuo andando, colinas que o Sol havia deixado colocado meu mundo em cinzas de um fogo que havia se esvaído há muito tempo, eu retorno a essa colina trazendo comigo aquela estela que me acompanhara em forma de Leão, comigo levo a Espada dos Sonhos para a Luta, o Arco da Ilusão para localizar e caçar, o Estandarte do Paraíso para julgar os vivos e os mortos e a minha velha Armadura do Aço-Frio que por dentro aprisiona o calor mais intenso e incandescente já conhecido, o buraco no peito não havia fechado. Me deparo com um ladrão sem retrato e sem sepulcro, pobre anjo abandonado pela vida, não vale a pena Lutar ou te Julgar, passo por ele andando calmamente enquanto suas pernas tremem, porém o Leão reage de forma diferente avançando diretamente, o Sol se pós sobre ele arrancando a cabeça e comendo o coração.

Me encontro com aquele castelo, aquele castelo que um dia eu havia sido assassinado pela Bruxa Escarlate, o tempo esta avermelhado, a Lua novamente banha o céu com o seu negro vasto, ela me aguarda... A alcateia me recebe com uivos de sabedoria e força, sentiram minha falta e eu senti a deles, a floresta densa que rodeava aquele monumento obscuro continuava me dando arrepios na espinha. Estou bem mais forte do que da ultima vez, planejo entrar novamente e sentir aquela adaga fria adentrando meu peito novamente, um risco, mas dessa vez serei digno de agüentar. E a tempestade começa e os tambores ressoam no céu eterno, junto ao meu coração que bate a cada pingo que chega ao chão. - O Caminho. Miguel Lima

Nenhum comentário:

Postar um comentário