terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Aqueles que Vestiam Preto II

“65 Anos Depois.

A cidade que não para, Aeterna o centro do poder político e religioso do mundo atualmente, onde só aqueles que servem a igreja são salvos, o homem não tem mais tempo para a filosofia e a religião, ele só pensa em poder e mais poder. Uma cidade futurística cheia de prédios que tapavam os céus, luzes vinda de todos os lugares ofuscavam aqueles que viviam mais em baixo, igrejas abandonadas com pessoas pobres e sem abrigo, apenas buscando refugio naquilo que um dia prometeu o paraíso, a decadência de um povo, só podiam tentar sobreviver até se deparar com um Serafim – Máquinas de combate, criadas para exterminar aqueles que iam contra a igreja. A podridão de um ambiente, aquilo que intoxica os olhos e enfraquece o coração, o mundo tinha acabado para as pessoas simples e ignorantes. Todos os Padres foram assassinados junto com sua fé e benevolência, agora só a tirania vive a reinar por essa selva perdida num futuro esquecido.

Segurando uma faca enferrujada, Derek corria para seu único refugio, não conseguia pensar em outra coisa a não ser tirar aquelas pobres pessoas daquele local. Ele era um homem sonhador e guerreiro, porém pobre e faminto. Seu grupo era composto por idosos, mutilados, doentes, mães com filhos pequenos e algumas crianças e jovens órfãos desesperados por fugir daquele inferno.  A torre do relógio seria sua moradia aquela noite, e de manhã eles poderiam ir embora. Era véspera do ano novo, e aquele relógio havia sido abandonado a muito tempo, aquele lugar mágico onde milagres aconteciam, na parte de dentro as pessoas ficavam maravilhadas com as engrenagens que juntas faziam os ponteiros se moverem, juntas, faziam o tempo passar. O Vitral amarelo que protege o interno do externo iluminava aqueles olhos esperançosos e aqueles pedaços de madeira sujos e cheios de teias de aranha.

- Ótimo pessoal, podem descansar amanhã mesmo podemos contin... – Derek não conseguiu completar a fala quando foi surpreendido por um cruzado de um soldado que estava na espreita o tempo todo. A ordem desses soldados é matar pessoas fugitivas dos seus buracos, ninguém escapava da tirania deles.

Derek caiu no chão, a faca nos pés de um dos soldados, uma risada é ouvida de longe, o segundo soldados ria extremamente alto enquanto o terceiro rendia todas as pessoas com uma Metralhadora Semi-Automática, e o primeiro abaixa para pegar a faca de Derek. O primeiro Soldado ajoelhou por cima de Derek e socava seu rosto com muita força e desdém. Derek sente um aperto no peito, precisava fazer alguma coisa para salvar aquelas pessoas, sem pensar ele rapidamente desferi um soco na cara do soldado tirando ele de cima do seu corpo, levantou e correu atrás do que estava rendendo as pessoas, porém não contava com a facada
que levaria nas costas do segundo soltado, caiu de frente no chão sem qualquer tipo de reação.

- Está pronto para sofrer um pouco, rapaz? – Diz o Segundo Soldado pisando nas costas de Derek em cima do corte que tinha acabado de fazer. – Pode Atirar recruta!

A Ordem foi para o soldado que rendia as pessoas, nervoso por nunca ter feito aquilo e com medo de ser morto pelo capitão seguiu suas instruções, começou a fuzilar todas aquelas pessoas. Gritos de dor e desespero, eles não poderiam fazer nada, o relógio fazia aquele som agonizante do “Tic-Tac” os segundos iam passando e o sangue se misturando com o pó da madeira podre do local. Todas as pessoas estavam mortas, foi uma tremenda chacina, crianças, idosos, mulheres... Todos Mortos pela frieza daqueles Soldados, cuja função clássica era proteger essas pessoas.

O relógio bate meia-noite, já era um novo ano, Derek desmaiado não podia fazer mais nada a não ser esperar sua morte. Do lado de fora os soldados ouvem um carro freando e a Porta da Torre é arrombada por um Homem de Terno, um cachecol branco que chegava até os seus pés, usando um chapéu preto e segurando uma Thompson – Metralhadora usada pela máfia. Junto a ele acompanhava outro homem vestido da mesma forma, ele não usava chapéu, mas era careca e usava óculos escuros. E outro rapaz, parecia ser bem mais novo, seu cabelo curto estava para trás e com gel, com cigarro na boca e segurando duas Desert Eagle uma em cada mão – Pistola Prata com alto poder de fogo. O rapaz mais novo desfere o primeiro tiro em um dos soldados acertando-o diretamente na cabeça, e antes que os outros dois soldados pudessem reagir dois tiros atravessaram suas cabeças.

- Chegamos um pouco tarde. – Diz o Homem que arrombou a porta.

- Thomas, vá checar se alguém ainda está vivo. – Diz o Homem careca para o rapaz mais jovem.

Thomas imediatamente vai passando pelos corpos procurando algum vivo, mas é totalmente em vão, todos estavam fuzilados e sem vida alguma, até que Derek começa a se contorcer de dor. O rapaz corre até ele e grita para os outros dois.

- Pai! Pablo! Venham aqui tem alguém vivo! – Grita o Rapaz tentando não mexer com o corpo de Derek.

- Ora vejam só, você é sortudo em cara. – Diz Pablo cocando a careca estranhando como aquele homem sobreviveu.

- Carregue ele, temos que sair daqui, antes que mais deles apareçam! – Diz o mais velho deles levantando e acendendo um cigarro.


Derek com muita dor e sem saber o que tinha acontecido, da seu ultimo suspiro e desmaia novamente, na esperança de acordar em um novo tempo, um tempo que estava prestes a começar. Os Cassa Nova será seu novo refúgio.” Aqueles que vestiam preto II. Miguel Lima

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