"O dia estava alaranjado, com as nuvens dançando em volta do todo
poderoso sol que carrega a majestosa luz da vida. Ele andava com os olhos
fechados, como se soubesse o caminho a seguir, seu corpo estava quente, mas não
pelo calor, mas sim por algo que crescia dentro de si. O vento clamava
aconchego e abraçava aquele humano com mente de homem e coração de menino, era
como se aquela brisa levasse para o amanhã de cada dia, as folhas secas no
asfalto, caídas das árvores há algum tempo, estralavam conforme seus pés as
esmagavam. Ela andava com os olhos abertos, sem rumo algum, apenas seguindo a
direção do sol, seu corpo também estava quente, mas era logo refrescado pelo
mesmo vento que a acompanhava durante todos os seus dias de vida, cantava
aquela velha canção que ninguém conhecia e sentia-se mais viva do que qualquer
coisa. O céu fica branco acinzentado e as gotas da água fria começam a
precipitar sobre as suas cabeças, mas os dois não ligavam, apenas seguiam o
caminho, era como se aquilo lavasse a alma, e tudo aquilo era como um começo,
um novo começo." - O Devaneio das folhas daquele Outono. Miguel Lima
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