“Eu irei caminhar com
minhas mãos amarradas, até que o dia volte a nascer, o diabo me prega peças
mexendo com meus sentimentos e me fazendo de bufão para seus desejos insanos.
Aquele minueto estava ao contrario, me despertava tristeza com a falta do som
lírico daquele Anjo. Eu só poderia sentir a grama molhada nos meus pés, era
escorregadio. A ponte suspensa nos céus ligando meu universo cheio de estrelas
para um Jardim quase infinito, um Jardim de Jade.
Eu irei caminhar com meu rosto
coberto de sangue, até o dia em que minhas palavras perderem força, nesse
momento de pouco fascínio e desconhecido desejo. Eu sinto a brisa do vento como
um sopro da Dama do Frescor. As folhas de Março são mais vivas e levemente
trazidas pra perto das estrelas, uma corrente de ar no espaço, o verde inesquecível
das lembranças quase impermeáveis daquele tempo em que as ações deste andarilho
não valiam de nada.
Eu irei caminhar com meu
estandarte das trevas, até que eu adentre aquele jardim promiscuo, preciso
ouvir sua voz até o fim de meus dias. Os planetas se alinham num esplendido espetáculo
de luzes e cores, mostrando algo do qual eu nunca havia visto ou sentido, era a
paixão de um coração quase parado, apenas uma faísca para reacendê-lo, como um relâmpago
com sua descarga elétrica violenta, como um Lobo que lidera sua alcateia, como
um Navio a deriva no mar.
Eu irie caminhar, com minha
ultima esperança para dentro do Jardim de seus olhos escuros, que um dia foram feitos de Jade. Eu daria minhas estrelas para conquistar o verde eterno que ali
adormece.” – O Jardim de Jade. Miguel Lima
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