“Eu não aguentava mais olhar para a
cara dela, era como se fosse a morte à beira do abismo. Aqueles olhos que do
fundo denunciavam a vontade de morrer em minhas mãos tremulas, eu não aguento
mais segurar tanta vontade de sufoca-la enquanto ela chora pedindo mais e mais.
No momento de decréscimo de minha sanidade fez com que eu tirasse uma lâmina
afiada de minha gaveta, eu toquei sua ponta com meu dedo indicador e vi o
sangue sair, sentia um prazer quase inexplicável, inesquecível, inevitável. Ela
me olhava com desejo, seus dentes escorregavam pelo lábio e seu olhar fazia meu
coração bater mais forte, era o desejo de sua pele.
Levo a faca para frente de meu
rosto, torço a cabeça levemente para o lado esquerdo e lambo sua lâmina com meu
sangue que dançava no seu fio, e em um momento de devaneio, arremesso a faca em
direção da minha amada, na esperança de manda-la para o inferno de nossas
almas. Para minha felicidade, eu erro. E um suspiro saiu de sua boca, ela
realmente queria ver o circo pegar fogo, e nós somos sua fonte de calor.
Vou até ela, seguro seu pescoço com
força e trago para bem perto do minha boca, só nos resta queimar. Sua mão
direita desliza no meu braço, em quanto a esquerda puxa minha camisa levando
minha boca até a dela, aquele calor intenso de paixão agonizante, ela me
segurava pelo pescoço com aquelas unhas afiadas cravando minha pele, o liquido
escarlate tomava conta de sua mão.
Aqueles restos de pano que cobrem e seguram nosso
verdadeiro fogo, eu os rasgo e te entrego minha pele. Minha boca beija seu
coração enquanto o sangue que ali bombeava se mistura com nosso suor impetuoso,
e ela se deleitava com tanto ardor, mas eu não queria saber, só pensava em leva-la
para o paraíso entorpecente, novamente, impaciente entrego o meu tudo, para
receber o verdadeiro e violento Amor.” Ardor Escarlate - Miguel Lima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário