quinta-feira, 13 de março de 2014

Ardor Escarlate

            “Eu não aguentava mais olhar para a cara dela, era como se fosse a morte à beira do abismo. Aqueles olhos que do fundo denunciavam a vontade de morrer em minhas mãos tremulas, eu não aguento mais segurar tanta vontade de sufoca-la enquanto ela chora pedindo mais e mais. No momento de decréscimo de minha sanidade fez com que eu tirasse uma lâmina afiada de minha gaveta, eu toquei sua ponta com meu dedo indicador e vi o sangue sair, sentia um prazer quase inexplicável, inesquecível, inevitável. Ela me olhava com desejo, seus dentes escorregavam pelo lábio e seu olhar fazia meu coração bater mais forte, era o desejo de sua pele.

            Levo a faca para frente de meu rosto, torço a cabeça levemente para o lado esquerdo e lambo sua lâmina com meu sangue que dançava no seu fio, e em um momento de devaneio, arremesso a faca em direção da minha amada, na esperança de manda-la para o inferno de nossas almas. Para minha felicidade, eu erro. E um suspiro saiu de sua boca, ela realmente queria ver o circo pegar fogo, e nós somos sua fonte de calor.

            Vou até ela, seguro seu pescoço com força e trago para bem perto do minha boca, só nos resta queimar. Sua mão direita desliza no meu braço, em quanto a esquerda puxa minha camisa levando minha boca até a dela, aquele calor intenso de paixão agonizante, ela me segurava pelo pescoço com aquelas unhas afiadas cravando minha pele, o liquido escarlate tomava conta de sua mão.


Aqueles restos de pano que cobrem e seguram nosso verdadeiro fogo, eu os rasgo e te entrego minha pele. Minha boca beija seu coração enquanto o sangue que ali bombeava se mistura com nosso suor impetuoso, e ela se deleitava com tanto ardor, mas eu não queria saber, só pensava em leva-la para o paraíso entorpecente, novamente, impaciente entrego o meu tudo, para receber o verdadeiro e violento Amor.” Ardor Escarlate - Miguel Lima.

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