"A árvore
que te entrego num jogo de vai e vem, não sei explicar se está de noite, mas
posso ver as estrelas tocando nossa pele, sua mão é quente, consigo sentir seu
sangue passando por suas veias, seu coração batia ao som daquela música, aquela
que ainda não temos. Os vagalumes brilham a nossa volta iluminando nossas faces,
a grama bem verde se mostrava nova em folha, estava molhada com o orvalho, meu
sentimento era novo, porém único.
Não
parava de olhar no fundo dos teus olhos, aquele castanho que dominava uma parte
do meu peito, mas a única coisa que eu realmente lembrava era da sua voz,
suave, me falando sobre o universo e sobre a mente dos homens. Seu olhar era
meio caído, com um sorriso sincero e afetuoso. Eu não parava de pensar que você
me deu a mão.
Jamais
levantaria dos pés daquela arvore, eu apenas observava as constelações de uma
vida, de um universo, da conspiração que talvez estivesse ao nosso favor, não
há como descobrir ainda. Agora só penso em selar um contrato de corações, o
qual leva um tempo e leva uma parte do meu peito, ao vento, por um momento.
Observo
atentamente o movimento dos teus braços, dos teus dedos, da tua íris, da suas
asas negras, eu beijo sua mão branca e quente, e consequentemente beijo seu
braço até chegar no seu pescoço e recito palavras sobre nossa vida, nossa
pequena e curta vida, o grave da minha voz bate dentro do teu peito, eu te
beijo selando nossos lábios e termino dizendo “Meu Anjo de Asas Negras”." –
Nirvana. Miguel Lima.
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