quinta-feira, 20 de março de 2014

Nirvana

            "A árvore que te entrego num jogo de vai e vem, não sei explicar se está de noite, mas posso ver as estrelas tocando nossa pele, sua mão é quente, consigo sentir seu sangue passando por suas veias, seu coração batia ao som daquela música, aquela que ainda não temos. Os vagalumes brilham a nossa volta iluminando nossas faces, a grama bem verde se mostrava nova em folha, estava molhada com o orvalho, meu sentimento era novo, porém único.

            Não parava de olhar no fundo dos teus olhos, aquele castanho que dominava uma parte do meu peito, mas a única coisa que eu realmente lembrava era da sua voz, suave, me falando sobre o universo e sobre a mente dos homens. Seu olhar era meio caído, com um sorriso sincero e afetuoso. Eu não parava de pensar que você me deu a mão.

            Jamais levantaria dos pés daquela arvore, eu apenas observava as constelações de uma vida, de um universo, da conspiração que talvez estivesse ao nosso favor, não há como descobrir ainda. Agora só penso em selar um contrato de corações, o qual leva um tempo e leva uma parte do meu peito, ao vento, por um momento.

            Observo atentamente o movimento dos teus braços, dos teus dedos, da tua íris, da suas asas negras, eu beijo sua mão branca e quente, e consequentemente beijo seu braço até chegar no seu pescoço e recito palavras sobre nossa vida, nossa pequena e curta vida, o grave da minha voz bate dentro do teu peito, eu te beijo selando nossos lábios e termino dizendo “Meu Anjo de Asas Negras”." – Nirvana. Miguel Lima.

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